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Vendedor de carros, despachante, chefe e até estagiário do Detran são condenados por esquema em venda de R$ 160 mil

Carro envolvido em acidente com morte em 2020 teve problemas mascarados e foi vendido por R$160 mil. Reprodução A Justiça de Roraima condenou quatro pessoas ...

Vendedor de carros, despachante, chefe e até estagiário do Detran são condenados por esquema em venda de R$ 160 mil
Vendedor de carros, despachante, chefe e até estagiário do Detran são condenados por esquema em venda de R$ 160 mil (Foto: Reprodução)

Carro envolvido em acidente com morte em 2020 teve problemas mascarados e foi vendido por R$160 mil. Reprodução A Justiça de Roraima condenou quatro pessoas envolvidas em um esquema de estelionato e fraude no sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RR). O caso envolve a venda de um carro de luxo com defeitos disfarçados por R$ 160 mil para um casal, além da falsificação de uma vistoria veicular no Cantá, ao Norte do estado. Foram condenados: Marcony Medeiros do Nascimento (vendedor): condenado a 6 anos, 1 mês e 15 dias em regime semiaberto; Jaime Sales Rebouças (então chefe da Ciretran do Cantá): condenado a 2 anos e 8 meses; Leandro Modesto Rodrigues Galvão (despachante): condenado a 2 anos; Lúcio Costa de Andrade (estagiário do Detran na época): condenado a 2 anos. A decisão é do juiz Cleber Gonçalves Filho, da 1ª Vara Criminal, foi assinada nesta segunda-feira (9) e cabe recurso. Em nota ao g1, a WM Veículos informou que a empresa e o proprietário [Marcony] "são pessoas de reputação ilibada, com atuação pautada pela ética e boa-fé no mercado de veículos de Boa Vista. Registre-se que o proprietário da empresa foi absolvido de todas as acusações no referido processo." (Leia a nota na íntegra abaixo). O Detran informou que não foi notificado oficialmente sobre a decisão. A reportagem também tenta contato com a defesa dos outros condenados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Eles foram acusados de manipular o sistema para simular uma vistoria que nunca aconteceu, permitindo a transferência irregular do carro. Um quinto acusado, sócio da empresa que vendeu o carro, foi absolvido por falta de provas de que participou do esquema. O golpe O crime ocorreu entre o final de 2022 e o início de 2023. Um casal comprou um veículo de Marcony Medeiros do Nascimento por R$ 160 mil. No entanto, logo após sair da loja, o carro começou a apresentar problemas mecânicos graves, como travamento da direção e vazamento de óleo. Ao levar o automóvel em uma concessionária autorizada, as vítimas descobriram que o carro estava cheio de defeitos "maquiados" e já tinha se envolvido em um acidente com morte na estrada de Alto Alegre, informação que foi escondida pelo vendedor na hora da venda. Quando o casal tentou devolver o carro e pegar o dinheiro de volta, o vendedor recusou. Para realizar a transferência do veículo ou resolver pendências burocráticas, o grupo falsificou a vistoria obrigatória. O sistema do Detran indicou que o carro teria passado por uma vistoria presencial na Ciretran (unidade do Detran) do município de Cantá, no dia 2 de janeiro de 2023. O chefe da unidade, Jaime Sales Rebouças, inseriu a informação de que o carro estava "intacto". Porém, a investigação provou que isso era impossível: na data informada, o carro estava quebrado, parado na oficina e em posse das vítimas em Boa Vista. "Tal dado é flagrantemente falso, pois o veículo estava quebrado na posse das vítimas em Boa Vista", destacou o juiz na sentença. O despachante, Leandro Modesto Rodrigues Galvão, iniciou o processo sem o carro, e o estagiário, Lúcio Costa de Andrade, validou a documentação fraudulenta no sistema. Laudo confirmou avarias Um laudo pericial da Justiça, anexado a um cível que cobra indenização pela venda, confirmou que o veículo recebeu reparos grosseiros para disfarçar a batida anterior. Foi identificada uma solda irregular e enferrujada na longarina, peça fundamental para a estrutura do carro que custa em torno de R$ 30 mil. Fotos mostram solda irregular em caminhonete vendida em Boa Vista. Reprodução Outro problema visível foi uma repintura de má qualidade, com manchas, descascamentos e diferenças de tom no capô e nos para-lamas. Um orçamento para o reparo de todas as avarias identificadas no carro foi de mais de R$ 102 mil. Veja abaixo. Repintura do carro vendido com avarias em golpe de R$ 160 mil em Boa Vista. Reprodução Os condenados O vendedor Marcony Medeiros do Nascimento foi apontado como o mentor do esquema. Ele foi condenado pelos crimes de estelionato e inserção de dados falsos em sistema público. A pena dele foi fixada em 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão em regime semiaberto. Segundo o juiz, Marcony agiu com a intenção de lucrar ao enganar as vítimas e depois articulou a fraude no Detran para cobrir os rastros ou facilitar a burocracia. "As provas orais e documentais demonstram que o acusado, agindo com nítido animus lucri faciendi [intenção de lucro], induziu e manteve vítimas em erro", afirmou o magistrado na decisão. Já Jaime, Leandro e Lúcio foram condenados apenas pelo crime de inserção de dados falsos (fraude no sistema do Detran-RR), pois a Justiça entendeu que eles ajudaram na papelada irregular, mas não participaram do lucro da venda do carro. Como não participaram do golpe financeiro e eram réus primários (sem condenações anteriores), as penas de prisão dos outros três envolvidos foram substituídas por prestação de serviços à comunidade e pagamento de valores em dinheiro (prestação pecuniária). Nota da WM Veículos "A loja WM Veículos e seu proprietário são pessoas de reputação ilibada, com atuação pautada pela ética e boa-fé no mercado de veículos de Boa Vista. Registre-se que o proprietário da empresa foi absolvido de todas as acusações no referido processo. Quanto ao veículo objeto da controvérsia, esclarece-se que um laudo pericial judicial, produzido na esfera cível, atestou que os defeitos eram ocultos e que não é possível afirmar que o vendedor tinha conhecimento prévio dos mesmos, tratando-se de um desacordo comercial que já é discutido na Justiça Cível. A defesa recebe com respeito a decisão de primeira instância, porém entende que o Douto Juízo deixou de analisar provas e informações relevantes constantes dos autos, que seriam determinantes para uma conclusão diversa. A defesa tem plena convicção na reforma da sentença em âmbito recursal, onde a verdade dos fatos prevalecerá." Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.